Como resultado de um trabalho integrado entre os professores da extensão rural da Escola Estadual Irineu Albano Hendges, todos os nove alunos da turma da 3ª série do ensino médio foram aprovados em vestibulares.

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Esse excelente resultado é fruto da iniciativa dos próprios professores, que realizaram um diagnóstico de aprendizagem e, de posse dos resultados, pensaram em formas de auxiliar os estudantes em suas dificuldades.

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Esses alunos foram aprovados em vestibulares do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Tocantins (IFTO), na Faculdade de Guaraí (FAG) e na Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC).

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As turmas do ensino médio funcionam no prédio da Escola Municipal Euclides da Cunha, localizada na fazenda Bom Lugar, a 60 km da cidade de Guaraí. Atualmente, a unidade escolar funciona com 84 alunos no ensino fundamental da rede municipal e 28 alunos com ensino médio da rede estadual. Para possibilitar o ensino médio no setor, a Seduc firmou parceria com a Prefeitura de Guaraí, para utilização de salas de aula na escola municipal. O ensino médio é ofertado na modalidade multisseriada.

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Os professores da rede estadual realizam uma viagem com duração de duas horas todos os dias até a escola do campo. Eles vão no transporte escolar, que sai de Guaraí às 5 horas, e seguem por estrada afora pegando os estudantes.  O retorno ocorre depois do meio dia, e são mais duas horas de percurso.

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O diretor regional de Educação de Guaraí, Ermilson Pereira Silva, explicou que a Secretaria de Estado da Educação, Juventude e Esportes (Seduc) atendeu a uma solicitação dos moradores daquela comunidade que, em vez de ofertar um transporte escolar para levar os alunos para estudarem na cidade, o governo ofertasse o ensino médio na própria localidade.

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“Com isso, houve uma valorização por parte dos pais, dos alunos e da comunidade pela oportunidade de terem o ensino médio. Outro ponto importante para a aprendizagem é que todos os professores que atuam nessa extensão são especialistas”, contou Ermilson.


Proposta de ensino

Com o diagnóstico da aprendizagem em mãos, os educadores perceberam que os estudantes precisavam de aulas de reforço para melhorar a compreensão sobre conteúdos básicos. Um dos professores que participou desse trabalho foi Sebastião Mendes de Sousa, que atualmente é secretário municipal de Educação de Guaraí. Ele coordenou as inovações na prática pedagógica realizada com esses alunos do campo. Sebastião ficou na escola por 5 anos e seis meses, e com as experiências escreveu o livro “A Pedagogia do Erro ”. Sobre sua experiência na sala de aula, ele ressaltou que “muitas vezes nos preocupamos com a aprovação dos alunos nas diversas avaliações, mas deixamos de lado os conteúdos que eles não conseguiram aprender. E foi o que fizemos, dedicamos horários especiais para revisar assuntos ou conversar sobre temas básicos que eles precisam aprender”.

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O professor de linguagens, Hadley Aguiar da Cruz, também destacou este trabalho de ajudar os alunos a entenderem os conteúdos básicos. “É uma iniciativa que vem acontecendo há quatro anos na escola e, com isso, promovemos a aprovação de todos os alunos em cursos superiores, em 2015 e 2016. Isso é o reflexo do resultado do nosso trabalho”, reforçou.

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O professor Roney Viana de Oliveira, que leciona artes, educação física e outras disciplinas, falou dos desafios e da motivação. “Todos os dias acordamos às 4h para pegar o transporte escolar e ir para a comunidade, em uma viagem com duração de duas horas. Quando vemos o esforço dos alunos, que também acordam cedo para estudar, nos motiva a preparar sempre o melhor material para compartilhar nas aulas”, disse Roney.

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A diretora da Escola Estadual Irineu Albano Hendges, France Cristina de Souza Camargo, ressaltou o comprometimento da comunidade. “Há uma integração dos pais com a escola, eles acompanham as atividades, o que contribui para a melhoria do ensino e da aprendizagem”.

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É possível sonhar

A estudante Jocastra Morais Lima, 18 anos, aprovada em 5º lugar no curso de Ciências Biológicas da Faculdade de Guaraí, ressaltou o trabalho desenvolvido pelos professores para despertar nos alunos o interesse pelo estudo. “Antes nem imaginávamos que poderíamos ser aprovados em algum vestibular. Como os meus pais moram no campo, aprendi a gostar das coisas da roça, por isso, escolhi a área da biologia”.

Outra aluna também aprovada em Biologia, em 8º lugar, Samara Machado Damasceno, 17 anos, contou que foi na escola que aconteceu esse despertar para a vida. “Percebemos que temos potencial, que poderemos ter sonhos e procurar realizá-los”. Na sua casa, sua mãe Maria de Fátima Machado e o seu avô Januário Alves Moreira aplaudiram a conquista de Samara. “Vivemos da roça, e não imaginava que a minha filha pudesse chegar tão longe. Agora, estamos torcendo para que ela supere os empecilhos da vida”, contou Maria de Fátima.

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Com todos os alunos falando em assuntos de faculdade, o estudante Creisson Luiz Dutra, 17 anos, que está cursando a 3ª série do ensino médio, disse que também quer ser um dos aprovados em vestibulares no final do ano. “Moro na fazenda Primavera, trabalho com minha família com a plantação de soja, milho, safrinha e, quem sabe, possa cursar Agronomia e melhorar o meu conhecimento sobre a terra”.

 

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