A Lei Maria da Penha, criada para combater a violência contra a mulher, completa 11 anos nesta segunda-feira (7). Apesar disso, os números desse tipo de crime no Tocantins continuam a assustar. Nos primeiros seis meses de 2017, o estado registrou 130 estupros, 22 tentativas de estupro e pelo menos 17 mortes de mulheres. Além disso, foram mais de 400 casos de lesão corporal e mais de mil casos de ameaças.

Os dados são de um levantamento da Secretaria de Segurança Pública do estado. O número de mortes leva em consideração apenas os casos de homicídio doloso, quando há intenção de matar e os casos que ainda não foram esclarecidos. Acidentes, por exemplo, ficam de fora desta contagem.

Em todo o ano passado, foram 382 estupros em todo o Tocantins e 33 tentativas. Também houve 59 mortes entre os casos de homicídio doloso e as mortes a esclarecer. Mais de 3,2 mil ameaças e ainda 1,5 mil casos de agressão física.

As vítimas que sobrevivem a este tipo de violência ficam com marcas para toda a vida. A Defensoria Pública do Tocantins, que atende vários casos do tipo, divulgou o relato de uma mulher que pediu para não ser identificada e que sofreu abusos do marido durante quase 40 anos.

“Tudo começou com piadas ofensivas, me ridicularizando na frente das pessoas, depois ele partiu para ameaças, me proibia de sair, destruía as minhas coisas. Queria forçar a relação sexual e quando eu falava que não queria, ele me batia muito”, conta a vítima.

“Era aceitar ou ficar toda mutilada, espancada. Eu tinha medo até de cruzar com ele pela casa porque não aguentava tanto sofrimento, até que ele começou a ameaçar me matar. Disse que faria isso sem que ninguém percebesse, beberia meu sangue e depois de tudo tiraria a própria vida”.

Quem testemunhar casos de violência contra a mulher pode ser denunciar pelos números 180 e 190. Em casos de violência sexual o ideal é procurar um hospital e registrar a denúncia na Delegacia da Mulher (Deam).

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