A produção de ‘foie gras'(Fígado gordo) já foi proibida em vários países do mundo e é considerada uma das práticas mais cruéis

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Considerada uma das maiores iguarias gourmet da culinária francesa, a prática consiste na inserção de grandes quantidades de alimentos no fígado de um pato ou de um ganso, que depois é servido. Porém, em muitos países, a prática é proibida, causando intermináveis embates entre chefs de cozinha e ativistas.

A grande polêmica que envolve a prática do foie grasé a forma cruel de preparo. O fígado da ave precisa ficar dilatado ou hiperdesenvolvido. Os patos e gansos vivem confinados sob alimentação regrada e forçada. Isso faz com que ativistas e protetores de animais realizem protestos ao redor do mundo. Alemanha, Itália, Israel e Grã-Bretanha já tornaram a prática proibida. Nos EUA, apenas a Califórnia vetou a produção. No Brasil, a prefeitura de São Paulo, recentemente, assinou um termo proibindo o foie gras, mas restaurantes conseguiram liminares para continuar com as vendas. O processo continua conturbado.

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O isolamento dos animais, que geralmente são patos da raça mulard, precisa ser feito para que eles não queimem calorias. Eles recebem alimentos em quantidades que variam de 12 a 20 vezes superiores ao recomendado, seguindo uma técnica chamada de “gavage”, com um tubo introduzido no esôfago.

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Nos primeiros cem dias, os animais são alimentados com milho, vivendo livres. A próxima etapa é o confinamento, na qual eles mal têm espaço para se mover, fazendo-os engordar mais rápido. Em alguns casos, iluminação artificial é mantida para deixar os animais acordados o tempo todo, para que não parem de se alimentar e não tenham um processo metabólico completo. Com um cano automático, muita ração ou milho é introduzida diretamente no esôfago. Há também o processo manual, no qual um funil é colocado na boca da ave, enquanto ela recebe uma grande quantidade de alimentos rica em carboidrato e gordura de porco e ganso.

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A tentativa constante de metabolização faz com o que fígado fique levemente amargo, crescendo até 12 vezes o tamanho normal. A gordura precisa representar 65% de seu peso. E, depois de quatro meses passando por essa tortura, a ave está pronta para o abate. O fígado do animal ganha textura semissólida e fica quase sem cor. Ele pode ser cortado em fatias, servido cozido ou frio. Há quem diga que, quanto mais fresco, melhor.

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Alguns chefs e criadores dizem que o processo pode parecer cruel, mas a finalidade dele seria a mesma que a de outros animais. Os ativistas rebatem as acusações, afirmando que os animais, pelo menos enquanto estão vivos, não precisam passar por uma vida de tanto sofrimento.

O chef Marco Renzetti, do restaurante Osteria del Pettirosso, em São Paulo, foi contra a medida que proibiu o foie gras. “Não tem sentido. Interromper a venda na cidade de São Paulo não é significativo. O abate de animais não é exclusivo do pato. Há práticas muito mais invasivas, como o abate de porcos de granja”, disse ele, que tem o alimento como carro-chefe de seu negócio, vendendo cerca de 1,5 kg por mês. Por enquanto, uma liminar que derrubou a proibição da prefeitura foi aprovada em julho. O caso continua sendo discutido e parece longe uma resolução.

Fonte: jornalciencia

 

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