Um comerciante de 32 anos procurou a Polícia Civil, em Presidente Prudente, após constatar a compensação em sua conta bancária de um cheque de R$ 50 mil nominal à Igreja Universal do Reino de Deus antes preenchido no valor de R$ 104,80. O caso foi registrado como falsificação de documento público e está sob investigação.

Segundo consta no Boletim de Ocorrência, a vítima emitiu um cheque da Caixa Econômica Federal para uma empresa de embalagens. No entanto, durante uma consulta pela internet, soube que a folha “foi depositada pela Igreja Universal do Reino de Deus no valor de R$ 50 mil”.

“Acordei de manhã, abri o aplicativo na Caixa Econômica Federal e verifiquei que o extrato da conta estava com saldo devedor de R$ 51 mil. Abri a imagem do cheque e ele estava preenchido e adulterado. Foi um susto muito grande. Uma dívida enorme desta, ainda mais que foi para uma igreja. Fui à delegacia, o banco ligou para mim e fez a devolução como cheque falso”, explicou Alexandre Praxedes ao G1.

A vítima relatou ao G1 que desconfia de que o cheque possa ter sido clonado, uma vez que alguns detalhes de impressão são diferentes das folhas do talão original.

“Os dados bancários e a numeração da folha são os mesmos do cheque que eu emiti. Podem ter clonado a folha, mas queria saber por que estava nominal a uma igreja”, completou Praxedes ao G1.

Ainda consta no registro policial que não houve prejuízo, porque a vítima não tinha esse valor em conta. O cheque, que foi recebido por uma agência do Banco do Brasil em Limeira (SP), ficou em poder do banco.

Comerciante constatou compensação do cheque em sua conta bancária (Foto: Adriano Praxedes/Cedida)

Comerciante constatou compensação do cheque em sua conta bancária (Foto: Adriano Praxedes/Cedida)

Investigação

Segundo a Polícia Civil, o caso foi remetido para a Central de Polícia Judiciária (CPJ), em Presidente Prudente, onde será instaurado um inquérito para investigar o responsável pela adulteração.

“Vamos investigar para descobrir o responsável por ter tentado causar esse prejuízo à vítima. Todos serão chamados para depor, a vítima e representantes dos bancos, da igreja e da loja de embalagens. Vamos acionar a perícia e ouvir todos os envolvidos”, informou ao G1 o delegado da CPJ, Sérgio Luiz Tofanelli.

O Boletim de Ocorrência foi registrado como falsificação de documento público.

Outro lado

Em nota ao G1, a Igreja Universal do Reino de Deus informou nesta quinta-feira (7) que não tem conhecimento do episódio narrado no Boletim de Ocorrência.

“Confirmado o fato, a Universal é parte interessada e colaborará ativamente com as autoridades para sua rápida e completa elucidação”, salientou ao G1.

O Banco do Brasil esclareceu ao G1 que os procedimentos de compensação de cheque são normatizados pelo Banco Central.

“Ao receber um cheque do cliente em depósito, o banco providencia seu processamento na conta informada. Para cheques de outros bancos, observa-se aspectos formais do preenchimento do documento como data, valor nominal e assinatura, em seguida é encaminhado para a compensação. Cabe ao banco emitente a responsabilidade pela conferência da autenticidade do documento e de sua assinatura, validando ou não a compensação do documento”, explicou o Banco do Brasil ao G1.

G1 também solicitou um posicionamento oficial sobre o caso à Caixa Econômica Federal, mas até o momento desta publicação não obteve resposta.

Cópia do cheque foi anexada ao Boletim de Ocorrência registrado na Polícia Civil (Foto: Valmir Custódio/G1)

Cópia do cheque foi anexada ao Boletim de Ocorrência registrado na Polícia Civil (Foto: Valmir Custódio/G1)

Comerciante verificou pela internet que cheque havia sido adulterado (Foto: Adriano Praxedes/Cedida)

Comerciante verificou pela internet que cheque havia sido adulterado (Foto: Adriano Praxedes/Cedida)

Adriano Praxedes procurou a Polícia Civil após constatar compensação de cheque no valor de R$ 50 mil (Foto: Valmir Custódio/G1)

Adriano Praxedes procurou a Polícia Civil após constatar compensação de cheque no valor de R$ 50 mil (Foto: Valmir Custódio/G1)

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