GREVE: Ministro diz que movimento é político e que multará caminhoneiros

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BRASÍLIA – O Ministério da Justiça divulgou na noite desta segunda-feira uma gravação na qual o ministro José Eduardo Cardozo lamenta a “pauta política” dos caminhoneiros que interromperam estradas no dia de hoje. Segundo ele, a Polícia Rodoviária Federal foi orientada a agir com o efetivo necessário e multar em mais de R$ 1,9 mil os manifestantes que queriam impedir a circulação nas rodovias.

Para ele, o movimento é de baixa intensidade, mas muito pulverizado pelo país. Destacou ainda que esse movimento político não tem “nenhum viés de reivindicação corporativa, sem nenhum viés de reivindicação para a categoria dos caminhoneiros”. Cardozo lembrou que as entidades sindicais são contra as paralisações.

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— Fechar uma estrada, paralisar uma estrada, é algo que efetivamente não se aceita num Estado de Direito, numa democracia. Então, portanto, nós temos a absoluta clareza de que esse movimento, exatamente por essa característica política, tem tido uma baixa adesão por parte dos caminhoneiros em geral no Brasil. Ele é um movimento de baixa intensidade, mas muito pulverizado, até porque as entidades sindicais não têm apoiado esse movimento.

Segundo boletim da Polícia Rodoviária Federal, às 19 horas, havia cinco rodovias federais totalmente interrompidas no país e 23 com interdição parcial. Outras 21 tinham manifestantes, mas sem prejuízo ao trânsito. Os protestos são mais intensos na região Sul do país.

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A seguir, veja a transcrição da declaração do ministro:

Esse movimento que se realiza hoje por parte de alguns caminhoneiros é um movimento que tem um viés claramente, indiscutivelmente, político. Não há uma pauta de negociações. Nós não temos uma possibilidade de negociar em cima de questões que não são apresentadas. É uma pauta política. Uma pauta que é alimentada por pessoas que querem fazer uma ação política.

E nós lamentamos que seja assim, porque na democracia é legítimo que as pessoas tenham sua opinião, que se manifestem, mas nunca ferir o direito de outros. Nunca ferindo, como no caso está acontecendo, o direito de ir e vir de pessoas, brasileiras e brasileiros e de outros caminhoneiros que não têm outra intenção que não seja desenvolver normalmente o seu trabalho.

Fechar uma estrada, paralisar uma estrada, é algo que efetivamente não se aceita num Estado de Direito, numa democracia. Então, portanto, nós temos a absoluta clareza de que esse movimento, exatamente por essa característica política, tem tido uma baixa adesão por parte dos caminhoneiros em geral no Brasil.

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Ele é um movimento de baixa intensidade, mas muito pulverizado, até porque as entidades sindicais não têm apoiado esse movimento. As entidades sindicais têm expressado claramente a posição contrária àqueles que organizam essa movimentação. Os sindicatos que representam os caminhoneiros deixam claro que esse é um movimento político e, portanto, que não recebe adesão das principais lideranças da categoria.

Essa é a razão pela qual, inclusive, que nós além de dizermos que esse movimento vai contra o interesse público, vai contra o interesse de brasileiros e brasileiras. Ele exige da parte da Polícia Rodoviária Federal e do Ministério da Justiça uma ação rigorosa como vem ocorrendo. Nós determinamos que sejam multados todos aqueles que queiram fechar estradas. As multas são altas. Mais de R$ 1,9 mil em cada multa. Para que seja aplicado de pronto.

E, evidentemente, no caso de interdição de estradas, já determinamos à PRF, que atue através do efetivo necessário para que nós possamos desobstruir estradas e garantir que aqueles caminhoneiros que queiram trabalhar tenham a sua liberdade de ir e vir inteiramente assegurada.

Nós não podemos admitir que um movimento político, sem nenhum viés de reivindicação corporativa, sem nenhum viés de reivindicação para a categoria dos caminhoneiros, possa trazer prejuízo à sociedade brasileira, possa trazer, mesmo que apesar de sua baixa intensidade revelada no dia de hoje, qualquer consequência ou dano para quem quer que seja. Portanto atuaremos com vigor para evitar que estradas possam ter obstado o seu livre trânsito na defesa daquilo que é o direito de todos brasileiros, de todas brasileiras.

 

Fonte: correiodopovo

 

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