Notícias: Os três pinos da discórdia

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O que leva um país a estabelecer um padrão de qualquer coisa que só existe naquele país? A resposta pode ter várias alternativas: beneficiar um fabricante, criar um monopólio desnecessário, complicar a vida das pessoas, complicar a vida da indústria que depende daquilo, criar uma proibição sem sentido, permitir alternativas mais perigosas que o padrão anterior, entre dezenas de outras respostas mais. Estou falando do ridículo padrão de três pinos das tomadas brasileiras.

Durante pelo menos 3 séculos, desde a evolução das máquinas que passaram a usar a eletricidade como força motriz, foram sendo desenvolvidos vários tipos de plugues e tomadas aos quais os seres humanos foram se adaptando com o passar do tempo. E até bem pouco tempo atrás, não tínhamos problema nenhum em usá-los, tendo em vista a similaridade com os padrões de outros países onde são produzidos vários produtos eletro-eletrônicos que consumimos. Era muito comum, por exemplo, numa viagem à Alemanha ou aos Estados Unidos, você comprar um equipamento, seja qual fosse, chegar em casa e ligar na tomada para vê-lo funcionando. Isso porque as tomadas que estavam disponíveis para o nosso uso eram de vários padrões, inspiradas no que se usava lá fora.

Aí vem o governo, sabe-se lá pela cabeça de quem e com qual intuito verdadeiro, e diz pra você: “a partir de agora, ou você troca suas tomadas pelas obrigatórias, ou vai ficar sem ver televisão, ouvir música ou usar qualquer aparelho que necessite de eletricidade”. Seria mais ou menos como se você comprasse um carro a biodiesel de mamona mas não tivesse um posto sequer para abastecer com esse tipo de combustível. GENIAL!

E não precisamos ser muito estudiosos para perceber que esse tipo de parâmetro, o da tomada de três pinos que tivemos de engolir, foi uma tremenda imbecilidade. Coisa de algum parlamentar que ainda não tinha ferrado com a população em determinado mês e precisava cumprir sua cota de crueldade. Basta olhar para a ilustração abaixo.

tomadas mundo Os três pinos da discórdia

Ou seja: o Brasil é o único país onde existe esta porcaria, que julgaram ser mais segura, por isso a adotaram. E você que tem um monte de aparelhos diferentes em casa, com plugues das mais variadas formas, que se dane.

Conheci muita gente que começou a mudar as tomadas da casa toda com medo de alguma fiscalização (que nunca existiu e nunca existirá) e se arrependeu até o último fio de cabelo. Não sabia mais como ligar os equipamentos e acabou encostando um monte deles, ou substituindo por novos (Claro!!!) já com os plugues novos. Coisa que, eu tenho certeza, os fabricantes não gostaram muito de mudar porque isso gera custos, que são repassados ao consumidor que, pela lógica, é quem se ferra de novo.

E o pior: ao criar um padrão único, nosso genial governo abriu um novo nicho de empreendimento: o de ADAPTADORES! Estes começaram a surgir logo após a resolução da nossa tomada, aliviando o sufoco de quem não tinha mais o que fazer.

Sem título 1024x409 Os três pinos da discórdia

A salvação da pátria: adaptadores de todo o tipo, tamanho e cor.

E aí, as gambiarras começaram a pipocar nos lares brasileiros, botando por água abaixo, toda aquela onda de “segurança” que apregoavam com seu dispositivo indefectível. E nós todos passamos a ver cenas como esta abaixo!

Na base da gambiarra Os três pinos da discórdia

Uma gambiarra de fazer o grego Tales de Mileto (que descobriu a eletricidade) revirar no túmulo de vergonha!

Até hoje acho que ninguém conseguiu entender as justificativas de sermos obrigados a adotar uma padrão que só existe aqui. Além do mais, de que adianta instalar uma tomada nova como essa, se a maioria dos imóveis brasileiros, praticamente, não usa o fio terra – que se destina ao terceiro pino? Concordo com a idéia de que esse pino “terra”, de uma certa forma, protege os equipamentos de uma descarga elétrica mais alta, mas você realmente sabe se a fiação da sua casa ou escritório está dentro do padrão?

Tá bom! Vá lá que você está construindo uma casa nova e a lei te obriga a só usar as tomadas novas (já nem tão novas mais), com aterramento apropriado, etc. Pronto, você está dentro do padrão! E agora, vai fazer o que com seus aparelhos mais antigos? Doar e comprar outros novos? Parabéns! Você caiu em mais um conto governamental do vigário e não sabe!

E hoje, pouco mais de dois anos depois da exigência entrar em vigor, a situação continua quase a mesma: adaptadores e gambiarras pra todos os lados, mantendo em alta, e talvez ainda mais, os riscos de acidente com choques elétricos, mortes e incêndios. Então o que mudou? Nada! Ou melhor: mudou a conta bancária de alguém nessa história!

Sem uma fiscalização, uma padronização adequada, daqui a pouco vamos ver os três buraquinhos das tomadas deixarem de ser obrigatórios, assim como aconteceu com o Kit-Primeiros-Socorros nos automóveis e com os extintores ABC (leia artigo aqui) que fomos obrigados a comprar. E o governo, mais uma vez, vai colocar em você aquela bola vermelha no lugar do nariz dizendo “vem meu povo, preciso do seu voto!”

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É… eu comprei tomadas de três pinos!

Fonte: R7

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