O Conselho de Segurança do Curdistão iraquiano anunciou neste domingo (15, segunda-feira do horário local) que as tropas iraquianas avançaram para “tomar uma base militar e os campos petrolíferos” da província de Kirkuk.

“As forças iraquianas e as unidades de mobilização popular avançam de Taza Jormatu, ao sul da cidade de Kirkuk, para uma grande operação (…) a fim de retomar a base K1 e os campos petrolíferos”, informou o Conselho no Twitter.

Um fotógrafo da AFP viu que tropas iraquianas se dirigiam ao norte de Taza Jormatu.

Os dirigentes curdos ignoraram neste domingo o apelo de Bagdá para que retirassem os seus combatentes de Kirkuk e anulassem o referendo de independência, condições prévias a qualquer negociação.

O comunicado que divulgaram não faz referência à retirada dos milhares de peshmergas que Erbil diz ter colocado em alerta há vários dias.

No entanto, os reforços militares iraquianos continuavam chegando neste domingo ao sul da província de Kirkuk, onde se encontram as jazidas de petróleo, patrulhadas por tanques e veículos blindados, constatou a AFP.

Neste domingo, o presidente iraquiano, Fuad Masum, que é curdo, viajou de Bagdá para o Curdistão. Havia dado um novo prazo para as forças curdas deixarem as posições que ocupam há três anos e onde o governo central iraquiano quer realocar suas tropas.

O novo prazo vai expirar nas próximas horas, indicou uma fonte curda, deixando pairar novamente a ameaça de violência. O ultimato anterior de Bagdá foi prorrogado de sábado para domingo.

O presidente iraquiano Fuad Masum (esquerda) durante encontro com o presidente do Curdistão iraquiano Massud Barzani em Dokan (Foto: Shwan Mohammed/AFP)

O presidente iraquiano Fuad Masum (esquerda) durante encontro com o presidente do Curdistão iraquiano Massud Barzani em Dokan (Foto: Shwan Mohammed/AFP)

No comunicado de cinco pontos, o Partido Democrático Curdo (PDK) do presidente da região autônoma, Masud Barzani, e seu rival da União Patriótica do Curdistão (UPK), o partido de Masum, advertiram sobre “as intervenções militares ou movimentação das tropas”, que “constituem uma ameaça a todo esforço sério de alcançar uma solução pacífica aos problemas”.

Ambos se declaram “dispostos ao diálogo”. Mas Hemin Hawrami, conselheiro de Barzani, advertiu no Twitter que “rechaçam condições prévias” a essas discussões.

“O PDK e o UPK rejeitam todos os pedidos de anular os resultados do referendo”, detalhou, respondendo a declarações feitas na véspera de uma fonte próxima ao primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, que considerou que “não haverá nenhum diálogo até que anulem os resultados do referendo”.

Os peshmergas, combatentes curdos, estão divididos em dois partidos. As forças curdas presentes na província de Kirkuk, que as tropas de Bagdá querem desalojar, dependem do UPK.

Enquanto os políticos tentam encontrar uma solução, milhares de combatentes estão frente a frente nesta província localizada ao norte de Bagdá, três semanas depois do referendo organizado no Curdistão.

Saad al-Hadithi, porta-voz do primeiro-ministro iraquiano, afirmou à AFP que “as forças do governo iraquiano não querem e nem podem causar danos aos civis curdos e outros, mas devem aplicar a Constituição”.

A lei, continuou, prevê que “o governo central exerça a sua soberania nas zonas que a Constituição define como disputadas (incluindo a província de Kirkuk), assim como em matéria de comércio exterior, em particular de produção e exportação de petróleo”.

Seu objetivo não é a cidade de Kirkuk, indicam as autoridades em Erbil. Querem retomar o controle das “jazidas de petróleo, uma base militar e um aeroporto”.

Bagdá, cuja renda diminuiu pela queda dos preços do petróleo e pelos três anos de combate contra os extremistas do grupo Estado Islâmico, quer retomar o controle dos 250 mil barris diários de petróleo das três jazidas da província de Kirkuk: Khormala, tomada pelos curdos em 2008, Havana e Bay Hassan, tomadas em 2014.

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